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    A Mexiana, ilha integrante do arquipélago do Marajó, que soma cerca de 1.600 ilhas, situa-se na foz do rio Amazonas e tem território de 100.000 hectares. O rio, que nasce no Peru, a 5.300 metros de altitude, por entre os picos gelados da Cordilheira dos Andes, confronte ao Pacífico, corta a maior largura da América do Sul e desce para a planície tépida em busca do Atlântico, totalizando um percurso de pouco mais de 7.000 quilômetros. É também o mais volumoso do globo, possuindo uma descarga de 250.000 metros cúbicos por segundo. Escoa um quinto da água doce do planeta, coletada numa área de seis milhões de quilômetros quadrados. Essa imensa massa líquida invade  o oceano cerca de 130 quilômetros e se dissipa em um raio que excede várias vezes essa medida, formando o Golfo do Amazonas.
   Tal fenômeno geográfico valeu-lhe o nome de Santa Maria de La Mar Dulce, dado por Vicente Yañes Pinzón, o primeiro europeu a singrá-lo. Vicente Yañes e seu irmão Martin Alonzo tiveram destacada participação na descoberta da América. A flotilha de Cristóvão Colombo, a quem cabe a glória desse feito marítimo, era constituída por três navios: Santa Maria, Pinta e Nina - sendo a segunda comandada por Martin Alonzo e a última por Vicente Yañes. Em 1499, Vicente partiu da Espanha novamente à procura de terras desconhecidas, capitaneando quatro carcelas. Tocou nas Canárias, Cabo Verde e rumou para o sudoeste, ultrapassando a linha do Equador em 13 de janeiro de 1500 e chegando no dia 26 desse mês ao Brasil, frente ao cabo que denominou de Santa Maria de La Consolación, atualmente Santo Agostinho, ponto extremo leste da América do Sul. Tal acontecimento deu-se, portanto, antes do almirante Pedro Álvares Cabral ter aportado ao litoral brasileiro, 22 de abril do mesmo ano.
   Prosseguindo viagem, costeou rumo ao norte. Às proximidades do Equador, ainda não avistando terra, surpreendeu-se por estar velejando sobre imensas porções de água doce. Penetrando o rio Amazonas cerca de 80 quilômetros, descobriu a ilha Mexiana e outras ilhas do arquipélago do Marajó. O ousado navegador do século XVI escreveu o seu nome nas primeiras páginas da história da civilização das três Américas.
   Entretanto, somente em 1616 os portugueses decidiram iniciar o seu efetivo domínio da Amazônia fundando Belém, atual capital do estado do Pará. Aliados aos índios guerreiros catequizados pelos sacerdotes
  católicos e após sangrentas lutas, os portugueses conseguiram livrar-se da presença de ingleses, franceses e holandeses estabelecidos com feitorias na embocadura do Amazonas.
   No princípio do século XVIII iniciou-se, no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do mundo, a criação de gado bovino e cavalar que se estendeu, em menores proporções, para os campos da Mexiana, até então intacta na sua primitividade. Alfred Russel Wallace, famoso explorador e cientista inglês, num trabalho independente, porém concomitante ao Charles Robert Darwin, veio à Amazônia com o propósito de formar coleções de História Natural para o museu de seu país. Desembarcou em Belém em maio de 1848. Já em 7 de novembro, chegou à Mexiana, onde permaneceu até meados do século seguinte. Impressionado com a exuberância das matas, dos campos, dos rios e da fauna da ilha, dedicou-lhe dezenas de páginas em seu célebre livro "A Narrative of Travels on the Amazon and Rio Negro".
   Abordando aspectos sociais e econômicos da Mexiana, registra que ela tinha quarenta habitantes, dos quais vinte eram escravos e os demais negros libertos e índios. O rebanho era de 1.500 bovinos e 400 cavalares.
   "Aos escravos e trabalhadores é permitido fazer farinha, cultivar todos os cereais e vegetais para consumo próprio fornecendo-se-lhes ainda pólvora e chumbo para caçar. Permite-se-lhes também fazer plantação de fumo, e a maior parte ganha dinheiro fazendo jacás, cestos e outros objetos ou matando onça, cujo couro vale 5 e 10 shilings. Os escravos mostram-se contentes, e como que felizes, se é que escravos isso pode ser. Todas as tardes, ao pôr-do-sol, eles vêm dar ‘boa noite’ ao Sr. Leonardo e a mim também sendo feita outra saudação semelhante, quando eles nos encontram pela manhã. À noite, tocavam músicas em suas casas. O seu instrumento preferido é a guitarra, por eles fabricada, da qual obtêm três ou quatro notas, que são repetidas horas seguidas, na mais enfadonha monotonia. Os negros praticavam a religião católica numa capela improvisada, onde cantavam ladainhas.
   Aos domingos não trabalhavam, muitas vezes realizando festas dançantes, que se iniciavam à tarde terminando ao fim da noite".

   Wallace relata com detalhes uma matança de jacarés: "Alguns negros entram n'água levando compridas varas, com as quais empurram os animais para o lado, onde outros negros os esperavam com arpões e laços".
   O Marajó Park Resort, inaugurado em 03 de junho de 1998, está localizado em uma reserva particular de proteção ambiental de área total de 67.000 hectares onde a Fontur Turismo(Grupo REICON) oferece pacotes de pesca esportiva, ecológica e de aventura.

Infraestrutura
    O Marajó Park Resort dispõe de aeroporto particular com pista de pouso (000 05'30" S; 0490 34'50" W) registrada e autorizada para aviões de até 20 lugares ou 5.700 kg na decolagem; 80 apartamentos duplos ou triplos com balcão, banheiro com água quente, ar-condicionado e frigobar.

Atrações
    As principais atrações são a diversidade e a exuberância da fauna e da flora na selva equatorial, podendo ser contemplados: várzea (campos alagados em inverno e savana no verão), mangue e floresta equatorial e, no contorno da ilha, praia de areia.
Marajó Park Resort © 2012